segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um mau a menos

É bastante comum falar-se do mal que existe na Terra. Sobretudo nestes tempos, em que a mídia tem sido farta em notícias aterradoras, as pessoas se têm indagado o que será do futuro.

A carga de maldade parece crescer, de forma assustadora. A cada momento, novas notícias se somam às anteriores, portadoras de intranquilidade.

Os jornais se esmeram em colocar manchetes que falam de escândalos, corrupção, hábitos infelizes.

A televisão mostra as imagens de tragédias familiares, sociais e políticas. O homem parece mesmo ter se tornado lobo de seu irmão.

Pensando nesse panorama de ansiedade e medo que assola o mundo, um jovem discípulo procurou seu mestre.

Encontrou-o em estudo e quebrou o silêncio, indagando:

Senhor, vejo a Humanidade infeliz. A perversidade campeia e a agressividade toma conta das criaturas.

Em toda parte vejo as sementes do ódio invadirem os canteiros do mundo, a inveja tomar conta dos jardins e a perseguição gratuita avançar, sem limites.

Vejo as pessoas se digladiarem e somente encontro sombras onde esperava descobrir a luz.

Como poderei contribuir para tornar o mundo melhor? O que devo fazer?

Porque o mestre permanecesse em silêncio, o aprendiz voltou à carga, precipitado, em nova leva de perguntas:

Vejo o mal avançar a cada dia assenhoreando-se de mais terreno.

Gostaria de extirpá-lo da Terra em definitivo.

Desejaria acabar com a miséria e o sofrimento. Contudo, sinto-me sem recursos.

Que poderei fazer em favor dos infelizes e perversos?

O sábio, tomado de compaixão pelo jovem candidato à transformação do planeta, respondeu com serenidade:

Filho, mudar as condições da Terra e dos seus habitantes, de um só golpe, é tarefa impossível.

No entanto, se te encontras realmente interessado em contribuir em favor da Humanidade, eis a fórmula:

Realiza a viagem ao interior de ti mesmo. Faze-te gentil com os que cruzem teus caminhos.

Sê melhor com todos os que tomem contato contigo.

Ilumina-te, enfim, a partir deste momento.

Com isso, guarda a certeza de que existirá um perverso e um ignorante a menos no mundo.

* * *

Normalmente agimos como o jovem discípulo. Desejamos que a Terra se transforme em um oásis de paz e alegrias.

Pensamos em anular o mal de fora, dos outros. E esquecemos de adentrar nossa intimidade, iniciando a grande reforma do mundo a partir de nós mesmos.

Se nos tornarmos bons, seremos um mau a menos.

Se nos tornarmos iluminados, seremos uma luz a mais a clarear a paisagem.

Se realizarmos o bem, a migalha da nossa atuação se fará presença benfazeja onde estivermos.

A dor que acalmarmos arrefecerá a economia da dor mundial.

A aflição que aplacarmos será diminuída do rol geral de aflições.

Enfim, o movimento positivo que empreendermos reagirá no cômputo geral, modificando a panorâmica da Terra em que nos situamos.

* * *

Uma gota d´água não resolve o problema da terra ressequida, mas é o anúncio da chuva generosa que logo mais se precipitará.

Ante a aparência do sol, uma pequena nuvem que se apresente constitui alívio ao viajor cansado, tanto quanto a sombra de uma árvore o aliviará da canícula que o maltrata.

Uma ação isolada pode parecer de nenhuma valia. Contudo, é sempre o desencadear de uma reação em cadeia, beneficiando muitas almas.

Pense nisso e comece hoje a mudar o Mundo.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8 do livro A busca da perfeição, pelo Espírito Eros, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. EBM.

2 comentários:

Gisele disse...

Para ti,achei tão bonito...


"(...) E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se acabaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."


Miguel Sousa Tavares
in 'Não te deixarei morrer, David Crockett'

Sempre que ler algo que me faz bem
vou dividir aqui.Ok
Beijos!!!
Gisele.

Marcela disse...

“Embora a felicidade seja nosso objetivo maior, ainda não sabemos distinguir o falso do verdadeiro. Criamos ilusões, perseguimos objetivos falsos e colhemos sofrimentos. Mas é por meio deles que aprendemos a conhecer a vida, a melhorar atitudes. É possível que venhamos a nos enganar outras vezes. Esse é o preço do progresso. E acima de todas as nossas falhas e até de nosso livre-arbítrio, está a vida nos protegendo, conduzindo nossos passos para o bem maior." (Zíbia Gaspareto)