segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Abnegação

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A evolução espiritual é um fenômeno bastante complexo, que se dá em sucessivas fases. 

No começo, predomina a natureza corpórea. 

Dominada pelos instintos, a criatura dedica seu tempo e seu interesse a atividades comezinhas. 

Comer, vestir-se, abrigar-se, procriar e cuidar da prole, eis a que se resumem suas preocupações. 

Nesse período, o egoísmo é marcante. 

Os instintos de conservação da vida e da preservação da espécie têm absoluta preponderância. 

Com o tempo, o ser começa a desvincular-se de sua origem. 

A inteligência se desenvolve, o raciocínio se sofistica e o senso moral desabrocha. 

As invenções tornam possível gastar tempo com questões não diretamente ligadas à sobrevivência. 

Viver deixa de ser tão difícil, sob o prisma material. 

Em compensação, começam os dilemas morais.

 

Com a razão desenvolvida, a responsabilidade surge forte nos caminhos espirituais. 

O que antes era admissível passa a ser um escândalo. 

A sensibilidade se apura e a criatura aspira por realizações intelectuais e afetivas. 

Essa nova sensibilidade também evidencia que o próximo é seu semelhante, com igual direito a ser feliz e realizado. 

Gradualmente se evidencia a igualdade básica entre todos os homens. 

Malgrado possuidores de talentos e valores diversos, não se distinguem no essencial. 

Uma chama divina os anima e a todos conduzirá aos maiores cimos da evolução. 

Contudo, o abandono dos hábitos toscos das primeiras vivências não é fácil. 

Séculos são gastos na árdua tarefa de domar vícios e paixões. 

As encarnações se sucedem enquanto o Espírito luta para ascender. 

O maior entrave para a libertação das experiências dolorosas é o egoísmo, que possui forte vínculo com o apego às coisas corpóreas. Quanto mais se aferra aos bens materiais, mais o homem demonstra pouco compreender sua natureza espiritual. 

O Espírito necessita libertar-se do apego a coisas transitórias. 

Apenas assim ele adquire condições de viver as experiências sublimes a que está destinado. 

Quem deseja sair do primitivismo deve combater o gosto pronunciado pelos gozos da matéria. 

O melhor meio para isso é praticar a abnegação. 

Trata-se de uma virtude que se caracteriza pelo desprendimento e pelo desinteresse. 

A ação abnegada importa na superação das tendências egoístas do agente. 

Age-se em benefício de uma causa, pessoa ou princípio, sem visar a qualquer vantagem ou interesse pessoal. 

Certamente não é uma virtude que se adquire a brincar. 

Apenas com disciplina e determinação é que ela se incorpora ao caráter.

Mas como ninguém fará o trabalho alheio, é preciso principiar em algum momento. 

Comece, pois, a praticar a abnegação. 

Esforce-se em realizar uma série de atitudes com foco no próximo. 

Esqueça a sua personalidade e pense com interesse no bem alheio. 

Esse esforço inicial não tardará a dar frutos. 

O gosto pelo transitório lentamente o abandonará. 

Ele será substituído pelos prazeres espirituais. 

Você descobrirá a ventura de ser bondoso, de amparar os caídos e de ensinar os ignorantes. 

Esses gostos suaves e transcendentes o conduzirão a esferas de sublimes realizações. 

Pense nisso.

  

Redação do Momento Espírita.

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